domingo, 13 de junho de 2010

Labirinto de espelhos

Pareço que penso que posso
Sinto que acho que sei que faria
Faço que penso que sinto que tenho
Mas nada me trouxe o que eu tinha

Construo o que acho que serve pra algo
Destruo porque penso que não serve pra nada
Finjo que sei do que estou falando
E tudo que passa parece que passa

Luto entre porcos que pensam que falam
Vôo em ares que acho que ventam
Corro em campos que acho que plainam
Disputo partidas que acho que tentam

Desisto de tudo que faz-se inútil
Percebo que nada mais faz sentido
Enquanto o sentido parece-me fútil
Tropeço numa pedra e me vejo caido

Faço besteiras no meio do povo
Sinto vergonha e mudo o plano
Canto e desafino com medo do erro
Erro e percebo que sou apenas humano

Minto pro nada e me sinto completo
Sinto que agrada quem está por perto
Esqueço que um dia já fui mais esperto
E poderia fazer algo mais correto

Acordo denovo no meio da noite
Nem sei que horas seriam
Tomo um café e acendo um cigarro
Enquanto os restos dos mundos dormiam.

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