segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dragonfly

As vezes, em meu quarto
Finjo que passa pela porta
Se deita ao meu lado
E procura o meu abraço que lhe conforta

As vezes, ao sair de casa
Imagino ainda que me acompanha
Seja para onde fosse
Atravessar um deserto ou escalar uma montanha

As vezes, na minha rotina
Vejo os poucos objetos que deixou
Os rastros de sua existência
E de sua ausência que aqui estacionou

As vezes trocamos palavras
As vezes trocamos farpas
As vezes trocamos cartas
Mas tememos a distancia que nos separou

Admito que você faz falta
Mas é a falta que nos define
Até nos nomes trocados
Se tornou Liih o que era Alinne

Pois nunca houve nada mais Bello
Nada mais singelo e sublime
Mais heróico que um duelo
Mais perfeito que Alinne.

E o tempo passou
O fim chegou, pontiagudo e afiado
Arrancou parte da alma, que pequena era
E para completá-la, já estava determinado

Notei que nosso amor não morreu
Pois nas palavras, nos versos e nos trocadilhos
Ele não se escondeu, não adormeceu,
Apenas trocou de trilhos.

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Isso foi um tipo de dívida paga comigo mesmo.
Mesmo que seja tardio, deixarei aqui como prova de que alguém existiu e ainda existe comigo.
Longe ou perto, algumas coisas não perdem o seu valor.

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