quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A morte do Eremita Gago

Então vejo um buraco
Fundo, escuro, silencioso
Que chama pelo minha alcunha
Como um canto de sereia que hipnotiza o marinheiro
A vontade de seguir é incontrolável.

Sigo em passos curtos e sonoros
Chutando as pedras que azaram ao encontrar o bico do meu sapato;
Com as mãos nos bolsos, procuro um ultimo cigarro
Para ter o prazer do tabaco rasgando minha garganta
Acendo-o, e sento na borda do buraco, atirando pequenas pedras
Para ouvir o eco que elas produzem ao atingir o fundo.

Não ouço barulho algum.

Abro minha mochila, pego meu caderno
Meu lápis, nenhuma borracha.
Sento e escrevo minha ultima canção.

Finalizo com um ponto final que fura a ultima página
E atiro o caderno dentro do buraco.
Me jogo logo em seguida.

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